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quarta-feira, 18 de março de 2009

A História da Qabalah



Dez gerações depois de Noé, Abraão nasceu a seu pai Terach na Mesopotâmia. Terach foi um idólatra que viveu em um reino governado pelo rei Nimrod. Com três anos de idade, Abraão instintivamente sentiu que era ilógico adorar estátuas de madeira e pedra. Sua mente começou explorar, e ao longo do tempo, ele finalmente se convenceu da noção de monoteísmo, um Deus, um Super Ser que é onipotente.


Desde o início, Abraão lutou contra a corrente predominante - um atributo herdado pelos seus descendentes.

Ele foi apelidado de “o Ivri (lit. "o outro lado")”, porque o mundo inteiro estava de um lado e ele estava do outro. Nimrod lançou-o em uma fornalha ardente por causa da sua crença herético, mas ele surgiu milagrosamente ileso de dentro da fornalha, e começou a proclamar suas convicções em público. Abraão foi um grande filósofo, astrólogo e astrônomo. O Talmude ensina que, “Abraão realizou grande astrologia no seu coração, e todos os reis do leste e oeste surgiram cedo em sua porta". Mudou-se para Haran, e com a idade de setenta e cinco, Deus falou com ele pessoalmente pela primeira vez e encarregou-o a abandonar sua terra natal e entrar na Terra Santa. Quando Deus revelou-se a Abraão, uma das primeiras coisas que Ele lhe disse que era seu destino, e que seus descendentes, transcenderam a influência das constelações. Por isso, Abraão não devia estar preocupado com previsões astrológicas.

Foi na Terra Santa, onde ele se encontrou com Malki Tsedek, Rei de Shalem, que era um sacerdote de Deus, o Altíssimo (Gênesis 14:18). Nosso Sábios identificaram Malki Tsedek como Shem, o filho de Noah. Há evidências de que a tradição mística foi ensinada a Abraão por Shem. De acordo com algumas autoridades Abraão é o autor Sefer Yetzirah (O Livro da Formação), uma das obras fundamentais da Qabalah.

O Talmude afirma que Abraão, Isaac e Jacó estudaram na Escola de Mistérios de Shem e Eber. O Talmude ainda proclama que os Patriarcas mantiveram toda a Torá antes que ela fosse dada a Moisés. Como foi isto possível? Os Qabalistas explicam que eles mantiveram a Torá, na sua forma espiritual, pois foi só posteriormente através de Moisés que a instrução da Torá se tornou manifesta no mundo físico. Os Patriarcas, porém, estavam bem conscientes do fluxo espiritual afetado pela observância das mitzvot. O Zohar compara o episódio bíblico de Jacó com as varas, calhas, ovinos listrados com o mitzvah da colocação dos Tefillin. Ambos obtiveram uma emanação divina semelhante, porém após o Sinai, foi a vontade divina que este fluxo espiritual, veio a se manifestar através de um par de Tefillin físicos.

Abraão foi também plenamente consciente da utilização da magia e idolatria que poderiam ser desenvolvidas a partir desses mistérios elevados, e o Talmude afirma que Abraão tinha um tratado de como lidar com idolatria que continha 400 capítulos. Existe também um ensino Talmúdico que explica que Abraão ensinou os mistérios que envolvem "nomes impuros" para os filhos das suas concubinas. Este se baseia no verso, "para os filhos das concubinas que Abraão tinha, deu Abraão presentes, e ele mandou-os embora... às terras do Oriente (Gênesis 25:6)”. Estes dons constam de mistérios ocultos, que se espalharam no leste da Ásia. Não é de admirar que, em muitas das religiões orientais encontramos paralelos para ensinamentos Qabalisticos. Um dos exemplos mais simples e marcantes da transmissão do oculto é que cada criança que conhece um mago usa a expressão "Abracadabra". Essa expressão mágica não é senão uma extensão do aramaico hebraico Abra – eu criarei, k'adabra – como falo (hebraico: Ani bara cmô davar), que se refere ao conhecimento de como criar utilizando letras e nomes documentados no Sefer Yetzirah.

Abraão estendeu o comprimento e a largura do terreno proclamando a sua convicção, e ele foi tão bem sucedido que ele converteu milhares ao monoteísmo. Seu método foi de uma bondade, ele criou uma hospedaria e após alimentar seus hospedes ele os apresentava à verdadeira crença. Abraão converteu os homens e Sarah as mulheres e juntos trouxeram muitas almas sob as asas da Shechinah (Presença Divina).

Este trabalho foi continuado por Isaac, o segundo filho, que nasceu milagrosamente após a circuncisão de Abraão, o que implica que a sua futura Progenía seria circuncidada e iria sobreviver milagrosamente. Isaac exibiu surpreendente contenção e auto-sacrifício no evento da Akedah (o atamento de Isaac). Esses atributos foram para sempre gravados na alma judia. Jacob, o filho Isaac, estudou na Escola de Mistérios de Shem e Eber catorze anos antes que se inicia-se sua perigosa viagem de volta à Mesopotâmia para a propriedade de seu tio Lavan. Sobre esta viagem, durante o sono no lugar que viria a ser o Monte do Templo, ele teve o sonho da escada e os anjos, um sonho cheio de mistérios que a Qabalah explicaria em mais de um capítulo. No exílio ele levanta as doze tribos e, posteriormente, retorna, apenas para ser mais contestado. Eventualmente, ele desce para o Egito, onde ele estabelece uma Casa de Estudo dos Mistérios, onde especificamente instrui seu filho Levi, na tradição, e da tribo de Levi se toma os sacerdotes israelitas. É aqui que o destino foi definido para o bisneto de Levi Moisés, para resgatar os filhos de Israel da escravidão egípcia.



domingo, 15 de março de 2009

O Encurtador do Caminhos (Qiftzat Ha-Derách)

O Kwisatz Haderach é um nome fictício de uma figura profetizada do messias no universo de Duna, criada por Herbert Frank, e estendida mais tarde por seu filho, Brian Herbert, ao lado do autor de ficção científica Kevin J. Anderson. O nome significa a “o encurtador do caminho” e é o titulo aplicada pelas Bene Gesserit ao desconhecido que procuravam através de uma solução genética, um Bene Gesserit masculino cujos poderes mentais e orgânicos construíssem uma ponte sobre o espaço e o tempo. Conhecido também como “aquele que pode estar em muitos lugares ao mesmo tempo.” A frase Kwisatz Haderach veio originalmente do Hebreu (קְפִיצַתהַדֶּרֶךְ, HaDérech originalmente do Hebraico Tiberiano e Qif̄îṣáṯ do Hebraico padrão). No judaísmo, o termo está especialmente associado com o movimento cabalista, que é usado para descrever a habilidade de saltar instantaneamente de um lugar para outro sem se mover, atribuído a vários homens santos (tzadiqim). O termo é usado em alguns dos trabalhos de Shmuel Yosef Agnon, um escritor Israelita que ganhou o prêmio Nobel de literatura de 1966 (mesmo ano em que Duna ganhou os prêmios Hugo e Nebula). Em uma história de Agnon baseada em um dos contos dos cabalistas acima mencionados, a um Rabbi justo (Tzadiq) é dado o dom de “Kfitzat Haderech” que o usa para entrar na Tesouraria do império de Habsburg, e saltar de volta para o seu shtetl (aldeia judia), despercebido por qualquer um. Usa o dinheiro para ajudar os Judeus pobres e perseguidos, e a história diz que o poder seria removido dele se ele ficasse com algum do ouro. Mais tarde, quando o Imperador planejou criar um decreto prejudicial aos Judeus, o Rabbi usou seu poder de “Kfitzat Haderech” a fim saltar para câmara de audiências e bater no Imperador com sua vara, sendo visível (e tangível) ao Imperador, mas invisível a seus conselheiros e protetores.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Arazá d´Segulá


Trecho do Livro "Crônicas de Qédem" do Escritor Misha´El Yehudá Ben Yisra´El. À venda: www.biblioteca24x7.com.br





Uma “Menorá” de sete lâmpadas suspensas que repousava sobre uma pedra de Pítida cortada na forma de um retângulo, inundaria em breve com suas luzes, o ambiente preparado intencionalmente antes do por do sol ocre, conferindo ao lugar uma atmosfera mística e sagrada onde logo o antigo ritual do “Araza d´Segulá – O Mistério das Três Colunas” seria realizado. Das sete lâmpadas, apenas três seriam acesas seguidas de orações recitadas em shab´ta. Estava colocada à frente de uma cavidade em arco feita na parede leste. Era o sexto dia da shavuá e o logo o brilho de Chaiim iluminaria todos os planetas do sistema Qadmon divinamente alinhados, assinalando, como fora escrito nos antigos pergaminhos-filme: “No érev “D´Arazá d´Segulá” uma estrela magnificamente brilhante se elevará ao Norte, rodeada de outras setenta estrelas”. Isto fora escrito acerca de Chaiim – A Estrela da Vida, e os setenta mundos do sistema.

A qüinquagésima lua, chamada desde os tempos incontáveis de “O Coração de Atiká” já mostrava sua iluminada face sinalizando a abertura do qüinquagésimo portal, nomeado de “Sha´ar Ha-Chochmá – O Portão da Sabedoria”. Em todos os lares dos Sekudot e mesmo dos “Guerim – Os Estrangeiros” os que vieram de outros mundos e estabeleceram residência em Aur o qual chamam de “Kulam Moshav (Morada de Todos)”, antigos pergaminhos seriam abertos, e ao repouso da vigésima milésima sexta micro pedra de todas as sha´onim, o estudo dos mistérios do universo seria aberto pela recitação do “Qiriat Arba” pelos lábios de todos os iniciados.

- Sham Ayin Iashar El Atiká Elohainu Atiká Echad – recitou Ayyub enquanto mantinha-se em pé na cabeceira da longa mesa juntamente com sua família e os demais Sekudot moradores daquela residência escolhida por ele para a celebração do ritual.

- Venha minha princesa – chamou o patriarca. – Acenda as três lâmpadas principais no segredo do “Arazá d´Segulá” – pediu-lhe enquanto apontava com a mão direita para a Menorá Sagrada. Aliya caminhou e colocou-se à frente do místico candelabro. À sua esquerda, uma janela dava visão aos místicos e poderosos Zifqim – Os Pilares de Fogo. Ela elevou as mãos e juntou-as palma com palma. Fechou os olhos ocultando o eclipse de prata em suas pupilas, adquirindo kavanná enquanto recitava suavemente uma oração no idioma de Éber.

- Beruch atá Atiká ve´Qadishá, mélech iaqum, asher qadishánu be´mitzvá ve´tzivánu, le´hadliq nerot Arazá d´Segulá.

- Bendito sejas Tú oh! Antigo e Santo, Rei do universo, que nos santifica com a ordenança e nos comanda acender as lâmpadas do Mistério das Três Colunas – traduziu Ayyub, ao que todos os presentes responderam.

- Ha-Am d´Arazá d´Segulá anachnu. Ve´Ner Qadishá Atá Ribinô Shel Al Olamot. Ner Tamid tzaf be´iaqum be´iamei olam.

- O Povo do Mistério das Três Colunas somos nós. E a Lâmpada Sagrada és Tu, Mestre de todos os mundos. Lâmpada Eterna suspensa no universo desde os dias antigos – An-Nur traduziu.

Saviv abriu os olhos que brilhavam como duas lâmpadas suspensas. Todos os presentes ergueram as mãos abrindo os dedos em “V” no antigo segredo dos Ethanim. Suas unhas começaram a irradiar o característico brilho azul, e então Ayyub recitou.

- E disse D´us: “Sejam luzeiros na expansão dos céus, para separar entre dia e entre noite, e sejam por sinais...”.

Aliya separou as mãos e levou-as até a Menorá e ao aproximá-las do candelabro, as lâmpadas suspensas instaladas sobre ele acenderam-se mágicamente.

- Beruch atá Atiká Qadishá, borê meorê há- esh (Bendito sejas Tu, oh Ancião Sagrado, que criastes o fogo) – recitaram todos os presentes.

- I’vârekhâh b’khôl tôv,

V’ishmôr hhâh mi’kol râ’h,

V’yâair livkhâh bsêkhel chayyim,

V’yachônekhâh b’daáth olamin,

V’isha phnêy chasadav I’khaâh,

Lishlôm olâmim.

Recitou An-Nur a antiga “Benção do Fogo Resplandecente. Ao que os participantes da mesa responderam à meia voz:

- Te abençoe Ele com todo o bem.

E te guarde de todo o mal. Esclareça Ele o teu coração com sabedoria imortal.

E te contemple com eterno conhecimento.

Que Ele eleve o seu rosto misericordioso e te dê paz eterna.

An-Nur flutuava sobre suas chamas tendo as mãos viradas para cima e em forma de concha, onde as flamas brancas de seu fogo mantinham-se acesas como dois “amudim vovim” que surgem espontaneamente no deserto.

Ábda[1], a matriarca da casa, entrou vindo de um aposento adjacente à direita, trazendo uma badeja de kessaf sobre a qual repousavam duas “Chalót – Os Pães Trançados”, e colocou-a sobre a mesa.

- Abd´El[2] – chamou ela. – Traga o guéfen que preparamos esta tarde – comandou. Um jovem de cerca de treze shanót adentrou o ambiente, trazendo nas mãos outra bandeja também de kessaf, onde um cântaro feito de cerâmica possuía como conteúdo, o místico vinho extraído especialmente da “Anaf shel Anavim – O Ramo de Uvas” para o ritual.

- Muito bem meu filho – disse Abidá[3], o patriarca da casa, enquanto levava a mão direita para acariciar a cabeça do jovem iniciado, o único filho do casal.

Lâmpadas feitas de shêmen e essência de Qnamon, instaladas em pequenas cavidades junto as paredes, impregnavam o ar da casa do maravilhoso aroma de canela, proporcionando a elevação das mentes para o estudo que logo teria inicio.


[1] Literalmente “A que serve”.

[2] Servo do El

[3] Literalmente “Pai do Conhecimento” – Av-Yodêa.